O percurso pedestre do tipo Pequena Rota (PR) dos Caminhos da Fé percorre antigos caminhos, integrados na paisagem rural da meia-encosta, com início e fim no centro da devoção local, o Monte do Senhor do Calvário em Gouveia. Cruza, ainda, diverso património religioso, rural e paisagístico nas freguesias de Aldeias, Mangualde da Serra, Moimenta da Serra e Vinhó, num percurso circular de 16 km.
São diversos os elementos construídos nos últimos 500 anos, demonstrativos das várias soluções encontradas pela comunidade para expressar, e sentir, a religiosidade local, vislumbrando as tendências arquitetónicas evocativas deste tipo de património nas 10 capelas, 7 alminhas, 5 igrejas, 2 museus, 1 ermida, 1 convento e 1 antigo colégio Jesuíta
que cruzamos ao longo do percurso pedestre.
Os antigos caminhos, criados e usados pela comunidade em torno dos lugares e aldeias, que percorremos, serviam outros propósitos de circulação, como os económicos e agrícolas. Os romeiros e devotos, com o propósito de “encurtar caminho”, para o pagamento de promessas ou por força da fé, utilizavam-nos para aceder a estes sítios, muitas vezes associados ao espectro do lendário, envoltos em mistérios com princesas mouras, promessas de riqueza e aparições de Nossa Senhora, que o enquadramento paisagístico enobrece.
A paisagem é marcada por uma forte intervenção humana, onde as espécies autóctones referenciadas para o “andar basal” da Serra da Estrela, cederam lugar às espécies cultivadas. Onde os solos são mais férteis, dominam os vinhedos e olivais, intercalados por culturas de leguminosas e pequenas hortas que completam o quadro agrícola, tipicamente, familiar, e alguns bosques de carvalho negral e castanheiro, assim como pilriteiros e gilbardeiras, a par de outros arbustos e herbáceas, que compõem este equilibrado e rico ecossistema, complexo e demonstrativo da riqueza cultural e ambiental moldada por esta comunidade.
A rota do Vale do Rossim desenvolve-se ao longo do vale da ribeira da Fervença, fazendo a ligação entre o Vale do Rossim e o Sabugueiro.
O percurso segue por antigos caminhos da transumância, atravessando uma vasta área onde predominam matos de giestas e sargaços, amplos
afloramentos graníticos e verdejantes prados de altitude.
Na paisagem, sobressaem o Vale de Perdiz, um extenso prado que na primavera se apresenta coberto por uma grande diversidade de plantas de montanha, e o covão do Costa, onde grandes bolas graníticas intercalam com matos de caldoneira. Próximo do Sabugueiro merece referência a cascata da Fervença e a pitoresca ponte do Porto Cabrito.
Esses cookies permitem funcionalidades essenciais, tais como segurança, verificação de identidade e gestão de rede. Esses cookies não podem ser desativados.
Ativar cookies analíticos
Esses cookies nos ajudam a entender como os visitantes interagem com nosso site, obter estatísticas de acessos e utilizadores para fornecer uma melhor análise geral.